No início de 2026, as famílias brasileiras enfrentam um quadro cada vez mais preocupante em termos financeiros, com indicadores de inadimplência chegando a níveis alarmantes. Segundo os dados mais recentes do Banco Central, a taxa de inadimplência geral subiu para 5,0%, enquanto, entre as famílias, esse índice alcançou 6,4%, o mais alto registrado desde 2017. Esse aumento no endividamento reflete uma realidade de dificuldades crescentes para honrar compromissos financeiros, levando a uma redução no poder de compra das famílias, especialmente em relação a gastos com serviços como alimentação fora de casa.
O setor de alimentação fora do lar, que é altamente dependente do consumo das famílias, já sente os efeitos dessa pressão econômica. Com a combinação de juros elevados e crescente dificuldade em gerenciar dívidas, a expectativa é que haja uma desaceleração no consumo, ainda que os efeitos imediatos nas vendas possam não ser tão evidentes. O futuro, no entanto, pode se mostrar desafiador, caso a inadimplência continue a escalar.
Além das dificuldades enfrentadas pelos consumidores, as empresas do setor também vivem uma realidade tensa. Uma pesquisa da Abrasel revelou que 35% dos estabelecimentos, incluindo bares e restaurantes, enfrentam atrasos em pagamentos, abarcando desde aluguéis até impostos e fornecedores. Embora esse número tenha apresentado uma leve melhora em comparação ao ano anterior, a resiliência do setor é colocada à prova em meio a custos operacionais crescentes e dificuldades de acesso a crédito.
A discussão sobre a jornada de trabalho 6×1 se encaixa nesse contexto de vulnerabilidade financeira. O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, levanta preocupações sobre como mudanças na legislação laboral, que desconsiderem a realidade econômica, podem transferir custos excessivos para as classes menos favorecidas. Um aumento nos custos da mão de obra, sem correspondente redução na carga salarial, pode acentuar a pressão sobre os preços e diminuir a demanda. Para os consumidores de baixa renda, que já enfrentam o peso do endividamento, essas alterações podem ser particularmente prejudiciais.
Solmucci enfatiza que, tanto consumidores quanto empresários necessitam de um ambiente econômico mais favorável para sobreviver. A manutenção de altas taxas de juros poderá complicar ainda mais essa situação, dificultando a capacidade de ambos os grupos de reorganizarem suas finanças. Em um setor sensível a variações de consumo, a contínua pressão econômica pode levar a atrasos em decisões críticas de investimento e expansão.
Ele alerta que o cenário atual é favorável a um olhar mais cuidadoso sobre as condições de crédito disponíveis. O crescimento da inadimplência entre as famílias impacta diretamente o consumo, enquanto, por outro lado, o setor de bares e restaurantes enfrenta desafios significativos para manter sua operação em dia. A redução do custo do crédito é vital para permitir que tanto consumidores quanto empresas possam respirar e retomar o ciclo de consumo e investimento, essencial para a saúde da economia. Caso a situação se normalize, as chances de recuperação são altas, com os bares e restaurantes podendo contribuir novamente para o mercado de trabalho e inovação no setor.
Com informações e fotos da Abrasel/BR













