No contexto do debate promovido pelo jornal O Globo, Valor Econômico e a Rádio CBN, o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, destacou a necessidade de a população compreender claramente o impacto das propostas relacionadas a mudanças na escala de trabalho, especialmente em setores que fornecem serviços essenciais. Ele enfatizou que alterações na jornada, como a transição do modelo de escala 6×1 para 5×2, podem acarretar um aumento significativo nos custos desses serviços, repercutindo diretamente nos consumidores, especialmente aqueles de baixa renda, que já enfrentam dificuldades financeiras.
Durante a discussão, mediada pela colunista Vera Magalhães, Solmucci alertou que a implementação dessas mudanças poderia elevar os preços de restaurantes em até 14% e das clínicas médicas em torno de 15%, sobrecarregando ainda mais as famílias de menor rendimento. O ideal, segundo ele, é que as pessoas estejam cientes de que são elas as que, no final, suportarão esse efeito, tornando o debate mais abrangente e consciente.
Adicionalmente, Solmucci indicou que a mudança compulsória na escala de trabalho poderia não ser viável, principalmente em negócios que dependem de uma operação contínua, como bares e restaurantes, onde a demanda se concentra em horários específicos, incluindo finais de semana. Essa realidade exige uma estrutura de trabalho que mantenha a qualidade de atendimento, algo que poderia ser comprometido caso o setor enfrentasse um aumento de custos em torno de 20%.
Ele também ressaltou que a discussão sobre jornada precisa ser contextualizada com o aumento da produtividade verificado nos últimos anos, o que possibilita um debate mais focado na redução da carga horária semanal. Contudo, é fundamental que a análise se estenda aos efeitos reais sobre o custo de vida e o acesso aos serviços essenciais. Para a Abrasel, é crucial abordar esses temas com calma e responsabilidade, evitando discussões apressadas, especialmente em ano eleitoral, quando a complexidade das propostas pode não ser devidamente considerada.
A mensagem central é que o impacto das mudanças propostas deve ser clara e acessível à sociedade, considerando que as reformas podem aprofundar a desigualdade, afetando os pequenos negócios e, consequentemente, a população vulnerável. O objetivo principal de Solmucci é garantir que o diálogo envolva não apenas interesses de trabalhadores ou empregadores, mas que abranja as implicações que essas mudanças trarão para o dia a dia dos cidadãos.
Com informações e fotos da Abrasel/BR













