Na última terça-feira, foi divulgado um importante relatório sobre as emissões atmosféricas provocadas por veículos automotores rodoviários, com dados atualizados que abrangem o período até 2024. Este inventário, elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), em parceria com o Ministério dos Transportes e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, fornece um panorama atual sobre a poluição do ar e as emissões geradas pelo transporte rodoviário no país.
Após uma década sem atualizações, o estudo assume um papel essencial na formulação de políticas públicas que visem melhorar a qualidade do ar, reduzir emissões poluentes e promover um sistema de mobilidade mais sustentável e eficiente. Os dados coletados revelam que, ao longo dos últimos 40 anos, a implementação do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) resultou em uma significativa redução de poluentes oriundos da combustão dos veículos, especialmente a partir dos anos 2000.
Entretanto, essa evolução tecnológica não tem sido suficiente para conter o crescimento das emissões totais, sendo impactada pelo aumento contínuo da frota de veículos e pela maior intensidade de uso. Um ponto curioso identificado no relatório diz respeito ao material particulado (MP): enquanto as emissões provenientes da combustão diminuíram, aquelas associadas ao desgaste de componentes, como pneus e freios, aumentaram, representando atualmente cerca de metade das emissões desse poluente.
O estudo prevê um impacto positivo em termos de políticas de transporte de baixo carbono, incentivando o uso de biocombustíveis avançados e a eletrificação dos veículos. A análise contém dados que possibilitam o planejamento eficiente da logística e a redução dos quilômetros rodados vazios, ações fundamentais para aumentar a eficiência energética do sistema de transporte.
Os resultados mostraram um aumento de aproximadamente 8% nas emissões de dióxido de carbono entre 2012 e 2024, correlacionando este crescimento com a expansão da frota de veículos. Nesses quatro anos, os automóveis foram responsáveis por 34% das emissões de CO₂ equivalente, enquanto os caminhões semipesados contribuíram com 22%. Este inventário também trouxe pela primeira vez estimativas sobre o carbono negro, um poluente climático de vida curta que tem impactos relevantes para a saúde pública.
A abrangência do estudo, que consulta dados desde 1980, proporciona uma visão detalhada do histórico das emissões, facilitando a gestão da qualidade do ar nas cidades. Além disso, a atualização contribui para a Política Nacional de Qualidade do Ar, auxiliando estados na atualização de seus próprios inventários e na busca por recursos.
A frota brasileira, de acordo com os dados mais recentes, atingiu o número de 71 milhões de veículos, com a predominância de automóveis, que representam 63% do total. O crescimento deste número irá requerer a implementação de novas medidas que promovam uma mobilidade mais sustentável e eficiente, adaptando-se às necessidades e desafios do futuro.
Com informações e Fotos do Ministério dos Transportes













