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Terras raras do Brasil, o real interesse de Donald Trump ao impor o seu tarifaço | José Osmando

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O presidente dos Estados Unidos fez enorme arrodeio, deu uma volta inteira ao mundo, na sua retórica para explicar os motivos que o levaram a taxar produtos brasileiros em 50%. Usou até o ex-presidente Bolsonaro – que está sendo julgado pelo STF por crimes praticados contra a democracia, na sua tentativa do golpe de 8 de janeiro-, e teve até mesmo gente por aqui acreditando  que ele virara uma espécie de advogado internacional de seu parceiro brasileiro de extrema direita.

Puro engano. Os interesses reais de Trump, conforme ele mesmo e seus auxiliares não conseguem esconder, são meramente econômicos e visam sempre mais poder para ele e a permanência do domínio norte-americano sobre o mundo, como se Donald Trump (e aqui vale lembrar o que disse o Presidente Lula), tivesse sido eleito não apenas para governar os EUA, mas para ser imperador do mundo.

Desde que foi pra cima do Reino da Dinamarca, ameaçando tomar dessa democracia europeia o território ultramarino da Groelândia – que embora esteja sob o domínio dinamarquês tem governo autônomo e parlamento independente-, sabia-se que Trump estava de olho em outra coisa e não apenas em canais de navegação. 

Um relatório publicado nos primeiros meses de 2023 pelo Geological Survey of Denmark and Greeland, estimou que o território da importante ilha, de mais de 400 mil quilômetros, que deixaram de ser cobertos por gelo, possui moderados ou muito altos depósitos de 38 minerais da lista de materiais críticos elaborada pela Comissão Europeia.

E foi aí que o olho gordo de Trump cresceu, ao tomar conhecimento dessa realidade até então pouco conhecida, da existência de altas concentrações de cobre, grafite, nióbio, titânio e ródio, e também da presença de grandes depósitos das chamadas terras raras, como o neodymium e o praseodymium, cujas características magnéticas se tornam fundamentais na fabricação de motores de veículos elétricos e de turbinas eólicas, além de forte uso na produção de telas de computadores, tabletes e celulares.

A Groelândia, conforme esse relatório oficial, poderia conter até 25% de todos os recursos de elementos de terras raras do mundo.

No final de abril deste ano, Donald Trump, que havia se metido no conflito entre Rússia e Ucrânia, sob a falância de que estava tentando por fim àquela estúpida guerra, pode, finalmente, assinar com o dirigente  Volodymyr Zelenski, um acordo no qual o presidente norte-americano exigiu ( e conseguiu) a exploração de terras raras e outros recursos naturais existentes  no território ucraniano. 

Pelo acordo, os norte-americanos terão sob seu poder no território da Ucrânia, elementos cobiçados de terras raras, como o escândio, o ítrio, o cério e praseodímio, além de outros recursos naturais (como carvão, gás e petróleo) e os chamados minerais críticos, dentre eles ferro, manganês, urânio, titânio, lítio e minerais de zircônio.

Não é de provocar qualquer espanto essa revelação feita agora pelo encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, que voltou a manifestar interesse de Donald Trump e do governo norte-americano pelos minerais críticos do Brasil.

Embora o presidente  do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), Raul Jungmann, diga que esses minerais estratégicos são um patrimônio do povo brasileiro e que a exploração desses minerais deve seguir a legislação nacional, não havendo nenhum previsão de que qualquer outro país estrangeiro possa fazê-lo, o certo é que Donald  Trump- na sua atitude de explícita chantagem para fazer impor taxação de 50% para produtos brasileiros que chegarem aos EUA-, abriu a boca e disse em que realmente está interessado.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do Planeta. E possui a quase totalidade nesse grupo de 17 elementos químicos essenciais ao desenvolvimento tecnológico e ao futuro de importantes segmentos industriais. 

O uso mais importante dessas substâncias está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, esses ímãs mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Com eles, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para tecnologias, turbinas eólicas e veículos elétricos.

Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.

Nessa guerra pelo domínio de terras raras e minerais críticos em que o Brasil se torna um gigantesco expoente, fica cada dia mais clara uma guerra dos Estados Unidos com a China, pois os chineses- ao contrário de querer tomar essas reservas para si, como Trump demonstra e quer-, têm feito avanços significativos com diversos países para o tratamento desses minerais, com os países beneficiados mantendo o domínio sobre suas reservas.

O Brasil, vê-se claramente, tem mais um ponto relevante de prestígio e poder. Talvez por isso mesmo é que Trump não quer sentar à mesa para negociar  e dar marcha à ré nos seus rompantes autoritários.

Por José Osmando

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