Em Roraima, a prática de wrestling tem se mostrado muito mais do que uma simples atividade esportiva para Laura Silvestre. Diagnosticada com autismo durante a pandemia, Laura encontrou no wrestling um meio eficiente para superar desafios tanto motores quanto sociais. Inicialmente, a ideia de praticar um esporte que requer tanto contato físico e coordenação parecia desafiadora para uma pessoa com limitações relacionadas ao espectro autista. No entanto, a experiência tem sido transformadora para ela e para sua família.
A trajetória começou quando Laura, por influência de seu pai, Anderson Braga, se interessou pela luta. Anderson, que havia se afastado da modalidade por 15 anos, reencontrou sua paixão quando sua filha demonstrou vontade de aprender wrestling. Originalmente, Laura praticou judô a contragosto, mas viu no wrestling uma oportunidade de se desenvolver e fazer amigos, o que fez toda a diferença. A prática regular do esporte não apenas ajudou Laura a melhorar suas habilidades motoras, mas também ampliou seu círculo social, trazendo novos amigos tanto de Roraima quanto de outros estados.
Com o avanço de Laura, o impacto positivo da prática esportiva também foi sentido por Anderson. O pai, que pensava ter deixado o wrestling no passado, se emocionou ao ver como o esporte reaproximou ele e sua filha, e se dedicou a fundar a federação estadual de wrestling para proporcionar a outras crianças e jovens a mesma oportunidade. Assim, Anderson não só mantém sua conexão familiar mais forte, como também vê a modalidade crescer sob sua liderança e do professor Everaldo Sarmento, que compartilha uma missão semelhante de inclusão pelos esportes.
A família de Laura tem estado completamente envolvida na causa. Sua mãe, apoiando a evolução da filha, chegou ao ponto de buscar formação em Educação Física, além de contribuir com sua experiência em consultoria jurídica para ajudar no crescimento da iniciativa esportiva em Roraima. Em um período de quatro anos, a federação conseguiu estruturar treinamentos contínuos e inserir jovens em competições fora do estado.
Os esforços foram recompensados com a participação da equipe nos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, onde Laura competirá e Anderson assumirá o papel de treinador. Esta participação é simbólica e significativa, não só para Laura e Anderson, mas também para toda a equipe de Roraima. A presença do estado no evento contribui para desmistificar estigmas antigos em torno do wrestling, uma modalidade antes vista com preconceito por muitos. Anderson relembra tempos em que o esporte era associado a comportamentos indisciplinados, mas afirma que os jovens atletas hoje podem ver um exemplo claro de profissionalismo e dedicação no cenário olímpico promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil.
Esta história não é apenas sobre Laura e sua família, mas um reflexo de como o esporte pode quebrar barreiras e transformar vidas. A trajetória inspiradora de Laura no wrestling nos lembra que, além de medalhas e competições, o verdadeiro valor olímpico se encontra na capacidade de inclusão, superação e união proporcionada por ele.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: Laura Silvestre, atleta autista de Roraima, transformou sua vida e a de seu pai, Anderson Braga, através do wrestling. Após dificuldades motoras e sociais, ela encontrou no esporte força para superá-las. Juntos, eles agora participam dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, ela como competidora e ele como treinador. A trajetória da família resgatou a paixão de Anderson pelo wrestling, motivando mudanças significativas na dinâmica familiar e na comunidade esportiva local. Fotografia por Carol Coelho/COB.












