O encerramento do 33º Festival Municipal de Bumba Meu Boi, que teve lugar em Maceió, no último domingo (18), foi um espetáculo vibrante que reuniu treze grupos da categoria especial, todos em busca do cobiçado título de campeão municipal. O evento, promovido pela Prefeitura de Maceió e pela Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) em colaboração com a Liga de Bumba Meu Boi de Alagoas, não apenas celebrou a rica cultura popular alagoana, mas também trouxe reflexões sobre questões sociais e históricas relevantes.
Durante as três noites do festival, as apresentações foram repletas de música, dança e encenações que capturaram a essência das tradições culturais do Brasil. A criatividade dos grupos tornou-se um ponto forte, evidenciando a diversidade de temas abordados. O presidente da FMAC, Myriel Neto, enfatizou a importância do festival como uma forma de preservar e valorizar as manifestações culturais, ressaltando que cada performance é uma demonstração do talento e da resistência cultural que permeia as comunidades locais. “O Bumba Meu Boi é um símbolo de identidade e memória que precisa ser passado de geração para geração”, declarou Neto.
A programação da última noite destacou temas variados e emocionantes. O grupo Boi Escorpião trouxe a mensagem de inclusão de pessoas autistas com o tema “Amar é incluir”, enquanto o Treme Terra compartilhou narrativas do sertão, ressaltando a luta e a fé do povo sertanejo. O Força Bruta prestou homenagem a São Francisco de Assis, defendendo os direitos dos animais, enquanto o Africano abordou a riqueza cultural dos povos originários, celebrando as raízes ancestrais do país.
Apresentações como a do Cobra Negra, que rememorou a história de Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, bem como a do Boi Axé, que exaltou a Feira de Caruru, mostraram como o festival é um espaço para contar e recontar histórias que fazem parte da memória coletiva alagoana. A performance do Tigre, com o tema “Agbára”, explorou questões sobre ancestralidade e a força da tradição, enquanto o Dragão trouxe à tona a relevância da saúde mental, abordando questões como depressão e ansiedade.
O povo e a cultura afro-brasileira também foram celebrados pelo Boi Safary, que homenageou a Bahia e sua rica herança cultural. O Cão de Raça fez uma celebração especial a Iemanjá, rainha das águas, por meio de uma apresentação repleta de simbolismo e cores. Ao final do evento, a expectativa cresce para a divulgação dos resultados da competição, marcada para a segunda-feira (19), que revelará os campeões dos grupos de acesso e especial.
O Festival de Bumba Meu Boi não só proporcionou uma plataforma para artistas e comunidades, mas também fortaleceu laços culturais, evidenciando a importância dessa manifestação na identidade alagoana. Com isso, o festival reafirma seu papel na promoção da cultura e na resistência de tradições que continuam a emocionar e unir as pessoas em torno de suas raízes.











