No contexto do crescente desenvolvimento do esporte feminino no Brasil, a correta gestão e a sustentabilidade dos investimentos têm desempenhado um papel central. Esta foi a principal temática discutida no painel “Gestão de recursos no esporte feminino: captação, distribuição e sustentabilidade”, realizado no último sábado durante a COB Expo 2026, em São Paulo. O evento reuniu representantes de diversas instituições, como o Comitê Olímpico do Brasil (COB), a Neoenergia e a Trilha Gestão, para debater as estratégias de captação, uso e distribuição de recursos no esporte feminino, visando sua promoção contínua e sustentável.
A discussão foi iniciada por Mariana Mello, gerente de Projetos Esportivos Especiais do COB, que apresentou dados impactantes sobre o crescimento do esporte feminino de alto rendimento no Brasil. Ela destacou que, desde que o COB implementou programas específicos para apoiar atletas femininas em potencial de pódio, houve um notável aumento no percentual de medalhas conquistadas por mulheres, passando de 17% nos Jogos de Londres em 2012 para 60% em Paris 2024. Contudo, Mariana enfatizou que o sucesso nas competições é apenas parte do processo. Ela delineou uma visão de futuro que busca aumentar a presença feminina em todos os níveis da cadeia esportiva, englobando não somente atletas, mas também treinadoras, árbitras, cientistas do esporte, gestoras e dirigentes.
Uma iniciativa do COB para promover essa ampliação é a diretriz que determina que ao menos 30% dos oficiais em Missões sejam mulheres. Leonardo Castro, da Trilha Gestão, apontou que essa medida pode inicialmente parecer uma obrigação, mas é essencial para fomentar mudanças culturais e promover o desenvolvimento de profissionais capacitados no âmbito esportivo. Ele destacou que, ao integrar mais mulheres nos quadros de decisão, é possível incorporar perspectivas diversificadas que entendem profundamente as necessidades do esporte feminino.
A conversa ainda explorou maneiras de expandir as fontes de financiamento para o setor. Castro enalteceu a importância da Lei de Incentivo ao Esporte, mas ressaltou que ela não deve ser a única estratégia financeira. Ele instou o público a explorar opções de financiamento que vão além dos recursos tradicionais, identificando verbas públicas, privadas e comunitárias como alternativas viáveis. A diversificação das receitas foi vista como um passo crucial para a sustentabilidade a longo prazo.
Xavi Bove, da Neoenergia, reforçou essa ideia ao propor uma nova abordagem sobre a relação entre esporte feminino e patrocinadores. Em vez de focar exclusivamente na captação de recursos, ele sugeriu que os projetos esportivos deveriam demonstrar valor adicional para os patrocinadores além dos resultados imediatos. Bove argumentou que a chave para atrair investimentos está na capacidade dos projetos de esporte feminino de se alinharem aos objetivos dos patrocinadores e gerarem resultados que sejam mutuamente benéficos.
Encerrando a discussão, Felipe Damiani, gerente de Projetos Incentivados do COB, sintetizou o desafio enfrentado por organizações esportivas, atletas e parceiros do esporte feminino. Segundo Damiani, o verdadeiro progresso não reside apenas na quantidade de recursos obtidos, mas sim na maneira como esses recursos são estrategicamente planejados e utilizados para gerar resultados sustentáveis. Ele concluiu que a sustentabilidade demanda a diversificação das receitas, o fortalecimento da gestão e a criação de projetos que tragam benefícios tanto para os atletas quanto para a sociedade em geral.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: Legendas para fotos:
1. “Gestão e sustentabilidade foram o foco do painel sobre investimentos no esporte feminino durante a COB Expo 2026 em São Paulo.”
2. “Mariana Mello, do COB, apresentou dados sobre o crescimento do esporte feminino, destacando que mulheres conquistaram 60% das medalhas em Paris 2024.”
3. “Medidas para ampliar a presença feminina, como a diretriz dos 30% no COB, são essenciais para a transformação cultural nas organizações esportivas, segundo Leonardo Castro, da Trilha Gestão.”
4. “A diversificação das fontes de financiamento e a compreensão dos objetivos dos patrocinadores foram temas centrais discutidos por Xavi Bove, da Neoenergia.”
5. “Felipe Damiani, do COB, destacou a importância de planejamento e sustentabilidade na gestão de recursos para o esporte feminino.”
Fonte das fotografias: Wander Roberto/COB.












