Durante a COB Expo 2026, um evento de grande relevância ocorreu na quinta-feira ao se discutir como ampliar a presença feminina no universo esportivo. O painel intitulado “Políticas e ações institucionais para ampliação da participação das mulheres no esporte” destacou a necessidade de transcender além da mera paridade numérica, enfatizando a criação de oportunidades que permitam às mulheres alcançar posições de liderança e ocupar espaços diversos no esporte. A vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Yane Marques, a gerente de Jogos e operações internacionais do COB, Joyce Ardies, a gestora esportiva Júlia Silva, além das presidentes de confederações Cristiane Maekawa Kajiwara, da Confederação Brasileira de Futebol Americano, e Patrícia Boss, da Confederação Brasileira de Hóquei sobre a Grama e Indoor, participaram do debate facilitado por Júlia Barreira, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
A discussão foi iniciada com um destaque importante sobre as desigualdades ainda presentes no esporte, mostrando que nem sempre a equidade é refletida pelos números de participação. Júlia Silva ressaltou que, apesar de as Olimpíadas de Paris 2024 apresentarem 49% de participação feminina, ainda existem barreiras significativas quanto a igualdade de condições, acesso e progressão dentro do sistema esportivo. Ela frisou a importância de um olhar mais aprofundado sobre como as estruturas e as políticas institucionais podem trabalhar para realmente promover a ampliação da participação das mulheres no esporte em diversas capacidades.
O evento também serviu para apresentar iniciativas do COB para fomentar o desenvolvimento feminino no esporte. Programas têm sido estruturados para capacitar treinadoras e gestoras, incentivar a participação feminina em comissões e equipes multidisciplinares, além de implementar políticas sustentáveis de parentalidade para atletas e profissionais que necessitam viajar para competições. Esse tipo de política já foi implementado durante os Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, evento que contou com a presença encorajadora de 53% de mulheres na equipe do COB, evidenciando os primeiros frutos das políticas inclusivas do comitê.
Yane Marques, ao abordar a importância da representação feminina em cargos de liderança, expressou que a transformação do esporte é um processo contínuo, que precisa perpetuar mudanças duradouras, não apenas simbólicas. Ela mencionou o papel inovador de Kirsty Coventry, primeira mulher a presidir o Comitê Olímpico Internacional, como inspiração para futuras lideranças. Adicionalmente, o programa Mulher no Esporte, introduzido pelo COB, aparece como um dos principais motores para a promoção de projetos que buscam integrar mais mulheres em todos os aspectos do universo esportivo.
Joyce Ardies, à frente de missões internacionais, compartilhou seus insights sobre como a abertura de espaços e oportunidades têm vital importância no engajamento feminino. Não basta que existam mulheres capacitadas; é preciso oferecer a chance de atuação, e por meio dessa fusão de capacitação e oportunidades concretas, o movimento de mudança ganha força e relevância. A expectativa, portanto, é que as ações discutidas e implementadas pelo COB se traduzam em um futuro mais igualitário e representativo para as mulheres no esporte.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: Na COB Expo 2026, destacou-se a discussão sobre a ampliação da presença feminina no esporte, abordando medidas de equidade e oportunidades em diversas funções esportivas. O painel contou com representantes do COB, destacando a importância de políticas institucionais e programas de capacitação para mulheres. Yane Marques, vice-presidente do COB, enfatizou a transformação necessária nas estruturas esportivas para garantir mudanças duradouras. Foto por Wander Roberto/COB.













