Na edição de abertura da COB Expo 2026, realizada nesta quarta-feira, 30, o público brasileiro teve a oportunidade de reviver a jornada inspiradora de Yusra Mardini, que retornou ao país após uma ausência de uma década, desde os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Desta vez, a nadadora síria chega ao Brasil com o título de embaixadora da Organização das Nações Unidas, levando uma mensagem de esperança e resiliência em prol da causa dos refugiados. No evento, Yusra, conhecida como uma das figuras mais emblemáticas do esporte, compartilhou suas experiências, que transcendem a mera competição aquática e alcançam as esferas do diálogo e da inclusão social em um mundo que muitas vezes se fecha para os que buscam um novo lar.
Em sua apresentação durante o primeiro painel da exposição, Yusra reviveu sua trajetória desde os dias em Damasco até o auge nos Jogos Olímpicos. Ela destacou o poder do esporte como ferramenta poderosa para construção de novas perspectivas de vida. “Persistência foi essencial em minha jornada. Se eu tivesse desistido em algum momento, talvez nunca tivesse chegado ao Rio 2016, muito menos a Tóquio 2020. Estar aqui de volta ao Brasil dez anos depois, para compartilhar minha mensagem globalmente, é uma alegria imensa”, declarou a nadadora com emoção.
Yusra enfrentou um desafio monumental em 2015, quando a guerra civil na Síria a forçou a abandonar sua casa e buscar refúgio. Durante uma perigosa travessia pelo Mar Egeu, a pequena embarcação na qual viajava apresentou falhas mecânicas. Demonstrando coragem e determinação extraordinárias, Yusra, junto com sua irmã e dois outros passageiros, nadou por horas até alcançar segurança em solo firme. Essa odisseia não apenas a levou a integrar a primeira Equipe Olímpica de Refugiados na história dos Jogos, no Brasil, mas também inspirou a criação de um livro e o filme “As Nadadoras”, que retratam sua trajetória comovente.
Na COB Expo, Yusra estava acompanhada por Isabela Mazão, representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), e pela nadadora iraniana Hannaneh Afshar, que atualmente reside no Brasil como refugiada. Conhecida como Hanna, ela é membro da equipe Swim Floripa, sob a orientação do renomado técnico Albertinho Silva. Aos 25 anos, Hanna alimenta o sonho de representar atletas refugiados nos Jogos Olímpicos. Ela deixou o Irã em busca de liberdade esportiva, diante das rígidas restrições contra a participação feminina no esporte em seu país. Hanna destacou os sacrifícios pessoais que envolvem recomeçar a vida em um novo lugar, longe da família e dos amigos. Ela salientou as barreiras de julgamento e a difícil jornada que foi se estabelecer longe de casa.
A presença de Yusra Mardini e Hanna na COB Expo ilustra a importância crescente do evento, que, em sua quarta edição, se estabelece como um espaço vital para o encontro de pensamento e inovação dentro do mundo esportivo. Esta edição amplia o debate acerca do potencial transformador do esporte na vida de indivíduos e comunidades globalmente.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: Yusra Mardini, nadadora e embaixadora da ONU, emociona na COB Expo, revisitando sua jornada como atleta refugiada desde o Rio 2016. Ao lado de Hanna Afshar, refugiada iraniana, ambas compartilham suas histórias de superação e sonhos olímpicos. Foto: Léo Barrilari/COB.













