Recentemente, um importante achado relacionados à conservação marinha foi registrado em Alagoas. Pesquisadores do Projeto Meros do Brasil, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação dos Trópicos da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), identificaram uma significativa agregação de meros, uma espécie criticamente ameaçada de extinção. Esta descoberta indica que os esforços de preservação nas áreas costeiras do estado começam a surtir efeito positivo.
As observações ocorreram durante mergulhos a cerca de 30 metros de profundidade, onde foram contabilizados 15 exemplares adultos com tamanhos variando entre 1,6 e 2,3 metros. Conhecido como “senhor das pedras”, o mero (Epinephelus itajara) é um peixe marinho vital para o equilíbrio ecológico dos oceanos. Sendo a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico, pode alcançar comprimentos de cerca de 2,5 metros e pesar mais de 400 kg.
Entretanto, a situação do mero não é otimista. Nos últimos 65 anos, a espécie enfrentou um declínio alarmante, sendo oficialmente classificada como criticamente ameaçada desde 2006. As principais ameaças à sua sobrevivência incluem a pesca desenfreada, a degradação de habitats e a poluição marinha. Além disso, o ciclo de vida do mero dificulta sua recuperação populacional, uma vez que, embora viva por mais de 40 anos, atinge a maturidade reprodutiva apenas entre 6 e 8 anos.
A preservação de espécies ameaçadas, como o mero, depende da manutenção de ecossistemas equilibrados que proporcionem as condições ideais para alimentação, reprodução e desenvolvimento. Ricardo César, coordenador de gerenciamento costeiro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), destaca a importância de ambientes conservados para a sobrevivência desses peixes: “É um predador que se alimenta de diversas espécies, o que torna vital a preservação de seu habitat.”
Um exemplo anterior de sucesso nas iniciativas de conservação em Alagoas é o caso do Mutum-de-Alagoas, uma ave que foi considerada extinta por muitos anos, mas conseguiu ser registrada novamente graças à dedicação de pesquisadores e instituições. Este tipo de abordagem colaborativa entre ciência, conservação ambiental e monitoramento da fauna tem se mostrado eficaz e promissor.
Além da observação dos ecossistemas marinhos, o IMA/AL também está engajado em reabilitar animais silvestres, desenvolvendo ações que, além de fortalecer o equilíbrio ambiental, contribuem para a preservação da rica biodiversidade do estado. As notícias sobre os meros em Alagoas são um forte indicativo de que o trabalho de conservação está em andamento e que a luta pela proteção das espécies ameaçadas continua.
Com informações e fotos da Semarh/AL













