Em alusão ao mês de conscientização sobre a doença de Chagas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) está intensificando as orientações sobre os riscos, métodos de prevenção e tratamento dessa enfermidade. Reconhecida por seus efeitos devastadores, a doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, pode permanecer assintomática por longos períodos, afetando o organismo na sua fase crônica.
O modo mais comum de transmissão é a picada do inseto barbeiro, que, ao se alimentar, pode introduzir fezes contendo o parasita no corpo da vítima. As fezes penetram pela pele ou mucosas, gerando uma perigosa infecção. Conforme salientado pela enfermeira Monique Calheiros, especialista em zoonoses da Sesau, são fundamentais a comunicação imediata de casos suspeitos aos serviços de vigilância em saúde locais. “A agilidade no diagnóstico é crucial para o tratamento eficaz da doença”, afirma.
Além da transmissão vetorial, a doença pode ser contraída por meio da ingestão de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana que não foram adequadamente higienizados. Outras formas de contágio incluem a transmissão de mãe para filho durante a gestação, através de transfusões de sangue contaminado, transplantes de órgãos infectados e, em casos raros, através de acidentes laboratoriais.
Para evitar a proliferação do barbeiro, as autoridades recomendam uma série de medidas preventivas, como manter a casa e o quintal limpos, evitando o acúmulo de materiais que possam servir de abrigo para o inseto. Não residir em casas de taipa, vedar frestas, usar telas em portas e janelas e manter animais domésticos distantes da residência são diretrizes que podem minimizar o risco de infecção. Caso o barbeiro seja avistado, é importante não esmagá-lo, mas sim capturá-lo com cuidado e entregá-lo em um Posto de Informação de Triatomíneos.
Os sintomas da doença variam conforme a fase de infecção. Na fase aguda, os pacientes podem apresentar febre, dor de cabeça e inchaço ocular, enquanto na fase crônica muitos permanecem assintomáticos por anos, mas podem desenvolver complicações graves, como problemas cardíacos e digestivos. A identificação precoce da doença é crucial para a prevenção de complicações futuras.
O tratamento está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e varia de acordo com a fase da doença, podendo incluir medicamentos antiparasitários e acompanhamento contínuo. Em Alagoas, a vigilância sobre a doença é constante, com registros de casos confirmados da forma crônica, a maioria associada a condições cardíacas, especialmente entre pessoas com mais de 60 anos.
Embora não tenham sido confirmados casos agudos recentemente, a Sesau permanece em alerta devido à possibilidade de subnotificação e à presença do vetor em várias localidades. O êxito no controle da doença depende não apenas das estratégias de vigilância, mas também da participação ativa da comunidade.
Com informações e fotos da Sesau/AL












