A alta nos preços de petróleo, gás e de fertilizantes nos países produtores do Oriente Médio, consequência imediata da guerra que Estados Unidos e Israel instalaram na região ao atacar o Irã e matar o seu líder, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro apssado, está afetando a economia mundial e, no caso do Brasil, gerando uma greve apreensão entre os produtores do agronegócio.
O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, especialmente Ureia e MAP, que são oriundos de modo marcante de países como China, Rússia e Oriente Médio. O aumento de preços na origem, aliado às dificuldades de transporte decorrentes do fechamento do Estreito de Ormuz, tem consequências significativas na cadeia produtiva nacional, afetando margens de lucro, planejamento de safras e trazendo danos gerais à economia do país, pela redução de produção e pela incidência de preços mais altos para os consumidores finais.
Os preços do petróleo durante o mês de março ( portanto, no espaço de 30 dias), registraram a maior alta mensal em décadas, alcançando 63% de aumento, superando em muito o recorde anterior, de 46%, que havia sido observado após a invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990.
Os fertilizantes que conseguem chegar ao Brasil no momento já estão vindo carregados por uma elevação de preços que variam de 25% a 40%, pressionando o orçamento dos produtores, e tendo influência direta no endividamento de um número expressivo de operadores do setor do agro.
Isso vem afetando a “relação de trocas” entre produtores rurais e fornecedores de insumos, pois os plantadores de soja e milho, por exemplo, para adquirir a mesma quantidade de adubos, têm que entregar um volume maior de sua produção, o que vem causando desequilíbrio e reduzindo os ganhos. As alternativas para fugir desse ciclo de aperto, é que os produtores reduzam o uso de fertilizantes ou busquem alternativas técnicas ( o que não é fácil atingir num momento de aperto), para evitar a quebra de safras.
Por conta dessa incerteza sobre custos e riscos de produção, já há registros de que muitos produtores adiaram as compras de insumos, gerando incertezas para a safra 2025/2026. Essa alta de preços, agravada pela insegurança quanto ao tempo em que essa guerra inexplicável vai durar, o Governo brasileiro está correndo para encontrar meios de proteção ao país, e particularmente ao setor rural (que é o carro-chefe das exportações), tendo-se como exemplo a medida proposta pelo Ministério da Fazenda e apresentada aos governos estaduais, de oferecer uma subvenção de R$ 1,20 por litro de Diesel, no valor total a ser pago ao distribuidor, com esses custos sendo bancados meio a meio, na razão de R$ 0,60 para cada parte, que são Estados e União. Isso fará com que o diesel importado chegue menos caro ao Brasil.
Pelo que se tem notícia até o momento, essa medida de caráter excepcional, para atenuar os efeitos críticos mundiais decorrentes da guerra, já tem aprovação de 80% dos Governos Estaduais ( 20 unidades federativas já deram seu aval para a medida), e terá validade por dois meses (ABRIL E MAIO), quando após isso será reavaliada, na esperança de que até lá a guerra tenha tido fim.
É muito provável que todos os Estados e Distrito Federal concordem plenamente com essa subvenção, uma forma de aliviar os produtores rurais, os setores industriais, o transporte de cargas e o consumidor final quanto aos aumentos de preços. Estados de grande peso, como São Paulo, já admitiram a implantação da ideia.
Até esse 31 de março (terça-feira), já haviam dado aval à proposta do Governo Federal os seguintes Estados:Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais, Rio de Janeiro, Roraima e Tocantins, Alagoas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Por José Osmando













