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Brasil conquista primeiro lote de carbonato de terras raras e já pode fabricar ímãs | José Osmando

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Essa semana que passou registrou um marco expressivo do Brasil na produção de ímãs, colocando o país como pilar estratégico para a moderna indústria automotiva e para o segmento de energias limpas. 

É que, em Lagoa Santa, em Minas Gerais, a mineradora Meteoric  entregou ao Centro de Inovação e Tecnologia (CIT), do Senai, o primeiro lote de 20 quilos de carbonato de terras raras, elemento essencial para o avanço das pesquisas que visam criar uma cadeia produtiva de ímãs em território nacional.

Carbonato de terras raras é o resultado da lixiviação (processo de lavagem) da argila iônica que contém os minérios e é um composto intermediário, antes da separação dos elementos de terras raras. As amostras de argila iônica foram  extraídas no planalto de Poços de Caldas e possuem  alto teor de minerais críticos e uma taxa de recuperação superior ao que tem sido verificado na média global.  De acordo com a empresa extrativa, a cada 600 kg de argila são retirados 2 kg de carbonato.

E está sendo aí, no CIT Senai ITR (Centro de Inovação e Tecnologia para Imãs de Terras Raras), um laboratório-fábrica pioneiro, inaugurado no ano passado, que os pesquisadores/cientistas estão focados na produção de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro, para colocar o Brasil na linha de frente do beneficiamento, deixando de ser apenas fornecedor de matéria-prima.

O CIT Senai ITR é a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e faz parte do projeto MagBras, uma aliança formada por empresas, startups, centros de inovação, instituições de pesquisa, universidades e fundações de apoio que têm como objetivo estabelecer uma cadeia produtiva completa e permanente de terras raras no país, da matéria-prima mineral até o ímã final.

Com esse passo importante dado agora em Minas, o Brasil avança significativamente na disputa por terras raras, passando a deter o beneficiamento de minerais estratégicos usados na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos em geral. Esta é a primeira vez que um laboratório brasileiro começa a testar a produção de imãs de alta potência com matéria-prima extraída em suas próprias terras.

E essa ocorrência se dá no exato momento em que governanças do mundo inteiro demonstram a cada dia maior interesse por terras raras e minerais críticos, dada a importância crescente que esses elementos apresentam para a nova industrialização do planeta, que se dá agora de maneira tecnológica como antes não se imaginava. 

Até este momento, esse laboratório específico do CIT Senai em Minas usava em seus estudos material importado da China.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, algo em torno de 23% do total existente no planeta. Fica atrás apenas da China, que possui 49% da totalidade e se apresenta como o país mais avançado em beneficiamento e produção de imãs. 

Em território brasileiro há registros oficiais, por levantamentos geológicos, em pelo menos 12 Estados da Federação, sendo Minas Gerais o mais avançado em exploração. Os estados em que existem dados oficiais sobre a presença desses elementos são Goiás, Tocantins, Minas, Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas e Piauí.

Por José Osmando

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