A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicou um relatório que levanta preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na indústria musical. Segundo a entidade, a crescente automação e o uso de algoritmos para a criação de músicas podem trazer consequências significativas para o setor, podendo reduzir as receitas das gravadoras em até 24%.
O estudo destaca que a implementação de tecnologias de inteligência artificial na música permite a produção instantânea de composições e o aprimoramento de técnicas de marketing. No entanto, essa transformação também poderá resultar na diminuição do valor percebido das obras musicais, pois os consumidores podem começar a favorecer músicas geradas artificialmente, em detrimento das obras criadas por artistas humanos.
Além disso, o relatório salienta que, com essa mudança no panorama musical, a diversidade de estilos e a originalidade podem estar em risco, uma vez que o algoritmo, por natureza, tende a se basear em dados existentes, mesclando fórmulas que já são populares. As possíveis inovações podem ser ofuscadas pela homogeneização que a inteligência artificial pode trazer, levando a uma redução na variedade de gêneros e no fomento de novos talentos emergentes.
A UNESCO também enfatiza a necessidade de regulamentações que protejam os direitos dos artistas e da propriedade intelectual em um mundo cada vez mais dominado por tecnologias automatizadas. A entidade recomenda a colaboração entre criadores, plataformas digitais e desenvolvedores de tecnologia para garantir que a evolução da indústria musical não comprometa a integridade e a autenticidade da música.
Neste contexto, a discussão sobre a ética na utilização da inteligência artificial na arte se torna fundamental. À medida que essas tecnologias avançam, o dilema entre a inovação e a preservação da identidade artística se intensifica, levando a um futuro onde a música, um reflexo da experiência humana, deve encontrar um equilíbrio entre a tecnologia e a criatividade humana. A UNESCO conclui que a adaptação a esses novos paradigmas será crucial para a sustentabilidade da indústria musical nos próximos anos.
Com informações da EBC
Fotos: / EBC













